14 de dezembro de 2018
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Victor Richardson, consultor caribenho (Foto: caribarenaantigua.com )
Victor Richardson, consultor caribenho (Foto: caribarenaantigua.com )

Nove “dicas” que não devemos seguir

Conferência da IAPC discute campanhas na Era Digital – Parte 2

“Vou lhes ensinar como perder uma eleição no Caribe”. Foi assim, de forma irônica, que o consultor político antiguano (que é como se chamam os nascidos em Antígua, país do Caribe) Victor Richardson, da empresa norte-americana BuzzMaker, iniciou a sua apresentação na primeira mesa de debates da 46ª conferência da IAPC (sigla em inglês para Associação Internacional de Consultores Políticos, www.iapc.org ). A mesa abriu os trabalhos do encontro apresentando um painel sobre as campanhas eleitorais no Caribe e suas peculiarida des.

Além de Richardson, também participaram dessa mesa o consultor norte-americano Matt McMillan (da empresa BuzzMaker, e chairman da Conferência ), a senadora antiguana Joanne Massiah (que ressaltou na discussão as dificuldades que as mulheres encontram ainda hoje para se inserir na política caribenha), e os consultores porto-riquenhos Luiz Herrera-Acevedo e Armando Valdes Prieto, ambos da empresa Explorer Media.

Conselhos que não devemos seguir

Como considero que os “conselhos” de Richardson sobre como perder uma eleição valem para qualquer país, os reproduzo a seguir:

Dica 1: “Escolha as pessoas erradas para a sua equipe”. Forme a equipe de campanha da forma menos profissional possível. Não contrate pessoas pelo seu perfil técnico. Contrate por serem amigas (ou parentes, ou amantes…) do candidato.

Dica 2: Não confira os dados eleitorais recebidos (das autoridades responsáveis pelas eleições). Aqui vai uma observação. Em muitos países, como nos Estados Unidos, os candidatos tem acesso à lista dos eleitores inscritos para votar. Como sabemos, esse não é o caso do Brasil. Então, eu diria que essa dica se aplicaria a nós da seguinte forma: “não faça o importante dever de casa de buscar nos cartórios eleitorais, nos sites do TSE e através de pesquisas o maior número de informações, o mais atualizadas possível, sobre os eleitores (quantos são? Onde estão? Em que seção votam?). E ssa é uma informação vital para ser usada na hora de decidir como distribuir geograficamente as suas forças.

Tecnologia não é nada

Dica 3: Não dê atenção à moderna tecnologia. Muitos candidatos, seus apoiadores e, pior, profissionais do marketing político, ainda mantém distância das ferramentas da comunicação digital (seja uma atuação planejada nas redes sociais, sejam ações de microtargeting, seja o uso de big data no seu planejamento). Para essas pessoas, esse ferramental não passa de modismo sem valor real. Parte dessa desconfiança se dá por, no meu entender, desconhecimento do que de fato essas possibilidades significam, seu real alcance, suas forças e fraquezas.

Tecnologia é tudo

Dica 4: Dê atenção apenas à tecnologia moderna. Para muita gente, candidatos, seus apoiadores e, pior, profissionais do marketing político, as campanhas digitais, feitas via internet, redes sociais e similares, o microtargeting e o big data, se tornaram sinônimo de forma única, moderna e eficiente de fazer campanha. Todas as outras “velhas” técnicas (campanha porta-a-porta, entrega de pr opaganda nos semáforos, por exemplo) estariam ultrapassadas. Cuidado. O mundo é muito mais vasto. E ser antigo pode ser tanto sinônimo de “ultrapassado”, quanto de “eficiente”.

Dica 5: Não faça arrecadação de recursos. “Nem guarde 60% do que arrecadar para a reta final da campanha”, diz Richardson. Arrecadação de recursos tem que ser um esforço permanente na campanha eleitoral. Tão importante quanto ir às ruas pedir votos. E saiba dosar bem o uso do que arrecadou, seja muito ou pouco dinheiro.

Dica 6: Não entretenha seus eleitores. “faça uma campanha chata”, recomenda Richardson. As campanhas caribenhas tem uma tradição de organizar muitas atividades “carnavalescas”, como carreatas e passeatas bem produzidas, alegres, onde se espera que os candidatos brilhem e mostrem sua força. O esforço consciente de chamar a atenção do eleitor vale também para o Brasil, onde a polític a e as eleições não estão entre as prioridades de nenhum ser humano, digamos, “normal” (só é prioridade mesmo para nós, que somos malucos por política!). Então, a campanha tem que ser muito criativ a para conseguir ser vista.

Atacar ou ser “paz e amor”?

Dica 7: Nunca ataque seu oponente. “Nem mesmo quando ele estiver lhe atacando, nem quando estiver mentindo”, “aconselha” Richardson. Este é um tema permanente nas campanhas: devemos nos concentrar em apresentar aos eleitores propostas para resolver os problemas que de fato lhes interessam, ou devemos dedicar parte dos nossos esforços atacando, “desconstruindo”, os adversários? Pela minha experiência, creio que tem hora em que é preciso partir pro ataque com vontade, seja porque um ataque não respondido pode se passar por verdade, seja porque, como diz o ditado, “quem cala, consente”.

Dica 8: Ataque seu próprio partido. Muitas derrotas começam dentro dos próprios grupos que tinham todas as chances de vencer. Antigas rivalidades, disputas antecipadas por nacos do poder (que, na verdade, ainda não foi conquistado), vaidades… A disputa entre “companheiros” de partido pode dar ao adversário em desvantagem a chance (talvez única) e as armas necessárias para lhe destruir o oponente.

Dica 9: Contrate o consultor errado. Na definição de Victor Richardson, o “consultor errado é aquele que fala muito, não ouve e usa sempre o mesmo modelo de campanha, não importa onde esteja.”

E você? Qual a sua “dica” para quem quer perder uma eleição?

 

Sobre o Justino Pereira


Jornalista, fez Mestrado em Marketing Político. Atua desde 1994 como Coordenador-Geral e de Comunicação e Marketing em campanhas para prefeito, vereador, deputado estadual e federal. Foi responsável por definir e implementar estratégias vencedoras em cerca de 30 campanhas. Também trabalhou como Gestor e Consultor nas áreas de Comunicação e Marketing e Planejamento Estratégico de Governo. Foi Coordenador-Geral de Publicidade da Capital paulista e secretário de Comunicação e de Governo de Guarulhos. É autor, junto com Elói Pietá, do livro-reportagem “Pavilhão 9 – O Massacre do Carandiru” (Editora Scritta).


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