22 de agosto de 2017
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Tarso Genro  (ao centro, de paletó marrom) participa da Sala de Gestão
Genro dirige reunião

Uma experiência inovadora envolvendo ferramentas gerenciais e diálogo com os cidadãos através da internet está acontecendo neste momento no Rio Grande do Sul, terra de onde costumam surgir novidades que, depois, se espalham pelo Brasil afora (vide o Orçamento Participativo e, bem lá atrás no tempo, Getúlio Vargas e seus partidários).

O governador Tarso Genro (PT) implantou ferramentas na sua gestão que merecem ser estudadas – e copiadas? – por outros gestores públicos, sejam eles governadores, prefeitos ou secretários. Trata-se do Gabinete Digital e do Sistema de Monitoramento Estratégico do Governo, que operam em dupla, sob o guarda-chuva de Gabinete Digital.

O governo gaúcho  inova ao reunir, numa só operação, o uso de ferramentas de TI (Tecnologia da Informação) e das redes sociais da internet. Esse “mix” é usado para fazer acompanhamento gerencial das ações do governo (usando a chamada “Sala de Gestão”, implantada com o suporte da FGV do Rio de Janeiro) e, simultaneamente, para manter diálogo ativo com os rio-grandenses.

A Sala de Gestão, minutos antes de a reunião começar

A Sala de Gestão, minutos antes de a reunião começar

Sala de Gestão é ferramenta gerencial

O governador estabeleceu uma rotina de despacho com seus secretários para acompanhar – e cobrar de perto – a execução dos projetos que são considerados estratégicos por Genro. São aqueles projetos que, em não acontecendo, significarão que o Programa de Governo, pacto firmado com a população, não se realizará de todo.

Na Sala de Gestão, espaço equipado com tevês e ferramentas de TI que permitem acesso rápido às informações que ajudam na aferição de desempenho (dados como o estágio da execução orçamentária, a resolução de barreiras legais, administrativas ou políticas que possam dificultar o cumprimento da meta etc.), o Governador se reúne com os dirigentes estaduais diretamente envolvidos com a meta em questão.

Primeiro, Genro recebe do Secretário Geral de Governo (o historiador Vinicius Wu, responsável pelo Gabinete Digital) um breve relato sobre o estágio em que se encontra a meta discutida. Depois, o governador recebe mais informações dos outros responsáveis pelo assunto tratado, faz perguntas e comentários e, à luz do exposto, toma as medidas – ou seja, dá as ordens – que considera adequadas.

A última reunião desse tipo de 2013 aconteceu em 19 de dezembro. Tratou do chamado “objetivo estratégico 3.2”, que “ visa recuperar as instituições públicas, aprimorando os serviços e estabelecendo uma nova relação com os servidores públicos”, segundo nos informa o site do Governo do Estado. Entre os projetos que compõem esse objetivo estratégico estão: “Centros de Pesquisa Fepagro, Revitalização da UERGS, Formação de professores, Reestruturação Curricular, Rede Escola de Governo e Reestruturação da TVE”.

Tarso Genro na Sala de Gestão

Governador Tarso Genro comanda reunião na Sala de Gestão

Uma reunião da Sala de Gestão

Na reunião da Sala de Gestão que pude acompanhar, em 31 de outubro, a meta que foi “sabatinada” referia-se a ações de valorização da mulher. Além de meia-dúzia de secretários estaduais, de consultores da FGV e de um corpo de assessores técnicos, gestores do interior do estado “participaram” através de depoimentos gravados em vídeo, relatando e comentando fatos. Nas suas intervenções o governador foi polido, mas firme, ao cobrar melhores respostas de gestores cujas explicações não lhe agradaram ao tentar explicar o porque de atrasos em prazos etc.

Tarso Genro ouve seus secretários na Sala de Gestão. De costas, Lindbergh Farias

Tarso Genro ouve seus secretários na Sala de Gestão. De costas, Lindbergh Farias

Curiosidade: esta reunião também foi acompanhada pelo senador carioca Lindbergh Faria (PT), que estava à procura de conhecer melhor a experiência, decerto para fortificar o arsenal que apresentará na disputa pelo Governo do estado do Rio de Janeiro, este ano.

Gabinete Digital é resposta às manifestações de junho

A outra “perna” dessa operação digital cuida de interagir, via redes sociais da internet, com os gaúchos. O governador implantou um sistema para ouvir, ver e falar com os cidadãos e promover mais participação social.

 O Gabinete Digital (coordenado por Luiz Damasceno) agrega, entre outras ferramentas, Twitter, Facebook e site, além de hangouts (que é, resumidamente, um tipo de Skype do Google e permite que várias pessoas conversem entre si à distância ao mesmo tempo, em teleconferência) e encontros presenciais. Uma de suas principais seções é o “De olho nas obras”, onde as pessoas podem acompanhar o estágio em que se encontram as obras que estão sendo executadas.

Depois das manifestações de junho de 2013, o governo do Rio Grande teve a certeza de que estava indo no caminho certo ao estabelecer um sistema de consultas permanentes e canais de diálogo usando as ferramentas da internet .

O Gabinete digital de certa forma se antecipou às manifestações que varreram o país e usaram a internet, principalmente o Facebook, como meio de organização e convocação das passeatas que aconteceram simultaneamente em centenas de cidades.

Uma experiência que devemos observar

Reunião de secretários gaúchos na Sala de Gestão

Reunião de secretários gaúchos na Sala de Gestão

Usar ferramentas de TI como mecanismo gerencial não é novidade (Beto Richa, do PSDB, por exemplo, fez bom uso delas quando foi prefeito de Curitiba). Também não é novidade usar as redes sociais digitais para se comunicar com os cidadãos (o prefeito carioca Eduardo Paes, do PMDB, vem fazendo isso bem).

A novidade gaúcha está em juntar essas duas coisas, numa tentativa de perscrutar o futuro da gestão pública e da democracia brasileira, talvez descobrindo caminhos que arejem o espaço público. Que, como todos sabemos, necessita com urgência, dar passos largos para fugir da perigosa ameaça de obsolescência em que se encontra.

 

Sobre o Justino Pereira


Jornalista, fez Mestrado em Marketing Político. Atua desde 1994 como Coordenador-Geral e de Comunicação e Marketing em campanhas para prefeito, vereador, deputado estadual e federal. Foi responsável por definir e implementar estratégias vencedoras em cerca de 30 campanhas. Também trabalhou como Gestor e Consultor nas áreas de Comunicação e Marketing e Planejamento Estratégico de Governo. Foi Coordenador-Geral de Publicidade da Capital paulista e secretário de Comunicação e de Governo de Guarulhos. É autor, junto com Elói Pietá, do livro-reportagem “Pavilhão 9 – O Massacre do Carandiru” (Editora Scritta).


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