17 de fevereiro de 2019
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Como a gente faz para vencer sete eleições? Elói Pietá responde (Parte 2)

Nesta segunda parte da entrevista concedida a Campanhas e Mandatos, o experiente político petista Elói Pietá fala ao Diretor Justino Pereira e ao Editor Ricardo Filho sobre a arte de vencer eleições para Prefeito. Ele governou por dois mandatos Guarulhos, a maior cidade paulista após a Capital. Pietá dá conselhos práticos para serem usados já nestas eleições, que entram em na reta final do primeiro turno.

Elói Pietá é um ás quando se trata de vencer eleições. Entre 1983 e 2008 foram 26 anos de mandatos consecutivos, engatando uma vitória na outra. Foi vereador por oito anos, deputado estadual por dez anos e prefeito por outros oito anos. Na última eleição em que teve participação direta, conseguiu eleger o seu sucessor na Prefeitura de Guarulhos, maior cidade paulista. Como cabo eleitoral, foi influência determinante na eleição de três pares de deputados estadual e federal, entre 2002 e 2010.

A disputa para Prefeito

CeM: Você venceu duas eleições de prefeito: uma estando na oposição e outra já na situação, quando manteve o mandato. Duas campanhas diferentes em contextos e situações políticas. O que você apontaria como sendo as características para uma campanha de prefeito ser vitoriosa?

EP: Se for de oposição, precisa que, em princípio, o chefe do executivo não esteja muito bem avaliado e isso não depende do candidato que aspira aquela vaga em disputa. Portanto, é como num jogo de futebol, você pode ter um excelente time, mas se o outro time esta muito bem as suas chances são menores. Existem fatores que dependem do candidato e outros que independem. Agora, outro fator, e esse depende de você, é conseguir acertar o tom da campanha, acertar, digamos, a linha que você vai seguir na campanha.

CeM: Você diz a linha de discurso, a linha de mensagem? O que é acertar o tom?

EP: É saber disputar a maioria com os adversários. No caso de ser oposição, principalmente com o adversário que está na situação. Então, é saber acertar, aquilo que, digamos, você pode trazer de melhor do que existe atualmente. Se o governo ao qual você faz oposição, se a situação está ruim, fica fácil, mas se ele está medianamente avaliado, já exige mais capacidade de colocar as tuas propostas e de se colocar como uma esperança de ser melhor. E se a situação, o governo estiver bem avaliado, nunca dizer que o governo vai ganhar a eleição. Você pode ganhar.

CeM: Acertar o tom seria estar afinado com os anseios da população?

EP: É saber o que apresentar para o público. É trazer uma perspectiva melhor do que a existente. E tem que passar credibilidade nisso, portanto, o teu passado vai valer muito porque não adianta só dizer, olha, eu vou melhorar o sistema de saúde. As pessoas, embora coloquem a saúde como prioridade, não olham só isso, inclusive, como a saúde é um problema geral — e, aliás, não é só no país, esse tipo de atendimento é um problema geral, dos sistemas estatais no mundo inteiro –, o povo também tem aquela sabedoria, de não avaliar uma administração apenas sobre um aspecto. Já teve candidatos de uma nota só, o candidato que se apresenta apenas para resolver as questões de educação, ou as questões da saúde. Eu digo isso no caso de candidato a prefeito, porque no caso de candidato a vereador ou vereadora é um pouco diferente, porque ele precisa de menos votos. Então se ele é um candidato de uma nota só, ele às vezes não pega o compasso da população, porque a população tem várias notas, tem varias necessidades. Então veja, se o candidato é de oposição, ele tem que analisar esse conjunto de elementos pra fazer o discurso dele correto e ter os apoios sociais suficientes.

CeM: E se o candidato é de situação?

EP: Aí inverte o papel. Se o governo está bem avaliado, ele vai fazer evidentemente uma campanha de continuidade. Se as coisas estão bem é meio improvável que o povo queira modificá-las. Agora, se a situação está medianamente avaliada, aí ele vai ter que abrir as expectativas de melhorar essa situação. Eu me lembro de quando Mário Covas foi para reeleição do governo de São Paulo e nós estávamos no campo contrário ao campo dele. Covas passou raspando para o segundo turno e contou com a ajuda da mídia. Depois ganhou as eleições. Ele já estava completando quatro anos de mandato e o governo dele não estava bem avaliado, mas conseguiu ir pro segundo turno e conseguiu vencer. E Por quê? Porque, aí, a população também olha o adversário e na hora vai te r que fazer uma escolha. Mas não é só isso, ele colocava também as dificuldades pelas quais tinha passado, dizia que agora tinha equacionado os principais fundamentos e podia então construir aquilo que se esperava dele desde o primeiro governo.

CeM: Você está dizendo que ele contou uma história, que lançou uma narrativa que foi convincente, é isso?

EP: É, mas não foi só por isso. Foi no contraste com o adversário. No contraste pessoal o eleitor preferiu esse, que não estava muito bem, ao outro que poderia ser pior. Mas é claro que existe uma narrativa ali, como você diz. Tem uma narrativa na qual é preciso convencer a população de que o que não foi feito em quatro anos, você terá condições de fazer em oito anos porque as bases pra que isso aconteça foram construídas no primeiro governo. Se o povo se convencer disso, é possível se reeleger. Agora, quando você esta na situação e está mal avaliado, muito mal avaliado, o que acontece? Ou você melhora, ou eu não te dou esperanças! (risos)

Que achou, caro leitor? Concorda ou discorda das posições aqui expostas?

Na semana que vem, publicamos a terceira parte da entrevista, dedicada a Comunicação Eleitoral. Não perca.

Veja também:

Elói Pieta: primeira parte da entrevista

Como vencer sete eleições? Elói Pietá responde (Parte 3)

Elói Pietá: Parte final da entrevista

 

 

Sobre o Justino Pereira


Jornalista, fez Mestrado em Marketing Político. Atua desde 1994 como Coordenador-Geral e de Comunicação e Marketing em campanhas para prefeito, vereador, deputado estadual e federal. Foi responsável por definir e implementar estratégias vencedoras em cerca de 30 campanhas. Também trabalhou como Gestor e Consultor nas áreas de Comunicação e Marketing e Planejamento Estratégico de Governo. Foi Coordenador-Geral de Publicidade da Capital paulista e secretário de Comunicação e de Governo de Guarulhos. É autor, junto com Elói Pietá, do livro-reportagem “Pavilhão 9 – O Massacre do Carandiru” (Editora Scritta).


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